fatima
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« em: Janeiro 24, 2010, 10:28:22 » |
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olá. A minha infância não foi muito normal. Cresci separada dos meus pais, pois, como eramos pobres tinham de ganhar dinheiro para sustentar a casa. Digamos que a minha mãe ganhava dinheiro para o sustento, o meu pai nem por isso... ficava entregue aos cuidados de uma vizinha, ao qual pagavam, que tinha 4 filhos rapazes todos mais velhos do que eu. pois, graças a isso sei que fui abusada mas não consigo recordar tudo o que aconteceu. Depois ainda consegui ser ameaçada por o rapaz e permanecer calada para não sofrer as consequências da minha estupidez. ao fim de tantos anos contei à minha mãe, que se passou da cabeça (o que acho normal), mas a meu pedido não quis que fizesse nada nem contasse a ninguém! sendo, assim este assunto por vezes ainda bate na minha vida. cresci... tive vários conhecidos, pois amigos há muito pouco. Namorei, mas as coisas não correram perfeitamente bem, fui trocada por uma amiga! Demorou a esquecer esse amor, mas ao fim de 6 anos as coisas mudaram: esqueci-o. consegui entrar no ensino superior no curso que se sempre quis... no 2 ano de curso o tecto do mundo caiu sobre mim. a minha prima morreu, suicidou-se, a minha avó não agoentou a dor, caiu em depressão, deixou de falar, de andar e era alimentada com uma sonda! Ao fim de 2 meses morreu. tive de me mander forte, sem choros e sem lágrimas, para poder ajudar a minha mãe e a minha tia... no último ano de curso, começei a namorar. as coisas corriam muito bem, até que ele foi para outro país trabalhar. eu terminei o curso e estive uns meses desempregada... na minha área não havia emprego por isso andei a limpar escadas, trabalhei num supermercado e tratei de 2 idosos...agora estou a atrabalhar na área longe de casa e da família a mais de 1500km de distância, sozinha, com um namorado super longe, amigos que não percebem porque estou triste que acham que é muito fixe estar no local onde estou, pois é lindo (mas eu gosto mais é do aeroporto pk é o mais lindo), sem apoio, sem ninguém, sozinha de dia e de noite!!!será que vale a pena viver assim? mais vale desistir disto e limpar escadas, pelo menos sou mais feliz! um namorado que não pensa em vir para o pé de mim (eu jés estive ao pé dele, e já arranjei trabalho lá, mas ele não aceitou porque era longe e não estava legal). a sério, estou cansada...gostava de ter um ombro amigo perto de mim.
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nobodycares
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« Responder #1 em: Janeiro 24, 2010, 10:55:52 » |
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Olha, eu tenho reflectido muito sobre a vida. O último ano fez-me pensar que o ideal é sermos dependentes de apenas nós próprios. Não depender de ninguém, quer a nível financeiro ou emocional. As únicas dependências que eu quero ter é o amor da minha mãe e um grupo de amigos consistente. Acho que a tua desmotivação é um sina em como deves voltar. Eu nunca emigrei mas imagino que seja muito difícil. Tenho uma amiga que está no estrangeiro sozinha e sei que não é fácil. Vale mais ser pobre mas ser feliz e estar perto de quem nos é próximo. Relativamente aos amigos, vale mais ter poucos mas bons. Apesar de ser um cliché, eu acho que é o que se passa na realidade.
Olha, eu também preciso de desabafar. E esta vai ser a minha resposta, um resumo da minha vida...
Tive uma boa infância e até sinto que fui feliz nesses tempos, embora sentisse a falta do amor que o meu pai nunca me deu. Após alguns anos mudámos de cidade em busca de uma melhor oportunidade de vida. Em poucos tempo tivemos muito sucesso económico mas foi aí que começaram a aparecer os problemas. Os meus pais divorciaram-se e o meu pai tornou-se num monstro. Basicamente passou os últimos 9 anos a mentir-nos, a enganar-nos, a chatagear-nos e a roubar-nos. Além de maldoso, egoísta, ganancioso, desonesto e invejoso, ele tem uma doença psiquiátrica muito complicada, chegando ao ponto de ter tentado matar a minha irmã com as próprias mãos. Apesar disto tudo eu tinha uma relação amorosa muito boa com uma rapariga e sentia-me completamente apaixonado e relativamente feliz. Namorámos muitos anos e já planeávamos um futuro comum com casa e filhos. Infelizmente, dediquei-me tanto a ela e tão pouco aos amigos que os perdi a quase todos. As consequências disto é eu sentir-me um alienado social. Quando as coisas com o meu pai começaram a rebentar devido à minha exaustão, tomei a decisão de começar a recusar assinar tudo o que ele me punha à frente com medo de estar a comprometer o meu futuro. Esta atitude deixou-o furioso e fiquei sem acesso à casa com piscina onde vivia, à mesada choruda que recebia e ao bom carro que conduzia, ele tirou-me tudo. Eu ainda não tinha qualquer independência financeira porque estava no último ano da universidade. Curiosamente, eu senti-me muito melhor sem todas as coisas que ele me dava porque me sentia livre e ele não tinha como me controlar. O que me deitou completamente abaixo foi o facto dessa rapariga se começar a interessar por outro rapaz exactamente nessa altura, abandonou-me e deixou-me na merda (perdoem-me a expressão). O meu coração ficou muito magoado e ainda hoje, quase um ano depois, sinto-me infeliz e tenho pavor de a encontrar na rua. Devido ao meu estado, não consegui acabar o curso no tempo que tinha estipulado e decidi ser trabalhador-estudante, foi a melhor decisão que tomei na vida desde que tenho consciência e tenho pena de não o ter feito mais cedo. Graças a isso, senti-me útil novamente e comecei a sentir que não há nada como sermos independentes. Entretanto, houveram várias tentativas de me reconciliar com o meu pai mas todas falharam porque ele continuou a tentar controlar-me e a querer meter-me em negócios obscuros dos quais eu não quero fazer parte. Mentiu-me e voltou a tentar chantagear-me. Com isto tudo, e porque me recusei a assinar uma letra relacionada com um negócio de família, praticamente todos os meus tios deixaram de me falar. Posteriormente, na última tentativa de reconciliação, tentou enganar-me, à minha irmã e à minha mãe com uma proposta de partilhas (ainda relativa ao divórcio), tentando faze-la "amigavelmente". Viemos a verificar que ele estava a agir de má fé e o caso está agora em tribunal de forma litigiosa. Estou a prever esta situação arrastar-se anos e anos. A sede de vingança dele é tão grande que foi à polícia afirmar que o meu avô materno não lhe devolveu uma colecção de objectos que ele sempre afirmou que era dele durante o tempo que viveu às custas dos meus avós (10 anos). E meteu-me a mim como testemunha. Obviamente recusei-me a testemunhar. Isto sem falar das prostitutas que ele nos deu a conhecer, das companhias pouco recomendáveis de burlões e oportunistas com quem ele se dava e das viagens ao Brasil e a Angola onde ele gastava o dinheiro dele e da minha mãe a pagar mamas de silicone a essas mulheres da vida. Enfim... um filme triste. Para agravar a situação, o 2º casamento da minha mãe está a correr mal e ela pode perder o emprego no próximo ano. Enfim... Devo ter sido uma besta quadrada noutra vida para merecer isto.
Os meus problemas podem não ser tão graves como os teus, mas sinto-me perdido no meio desta sociedade. A minha auto-estima está de rastos e sinto-me uma pessoa muito só. O que me vale é a capacidade humana de se adaptar. Adaptei-me à minha solidão mas quando me ponho a pensar nesta situação, fico desesperado sem saber o que fazer. É triste olhar à volta e ver pessoas com famílias normais e percursos de vida normais. Cada um tem os seus problemas, claro, mas porque é que eu tenho tantos? Porra!!!!
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fatima
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« Responder #2 em: Janeiro 25, 2010, 10:26:01 » |
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todos nós temos problemas! por vezes o problema, na minha opinião, é a capacidade que temos para levantar a cabeça e os enfrentar. Eu acomodo-me demasiado às coisas, às pessoas e às situações! Não sei porque temos de ter vidas tão complicadas, depois de sermos pessoas demasiado lutadoras! Eu trabalhei durante o curso todo... não era diariamente, mas semanalmente tinha trabalhos de limpeza de casas ou de condomínios. Tinha de trazer o meu estudo orientado para não perder ano nenhum. Lá consegui fazer as coisas, por vezes com pouca vontade. Mas era o melhor... nunca tive muitos bens materiais. Costumo dizer que tive os suficientes!! Eu sou do interior do país. Sempre cresci no mesmo local, até que fui para o ensino superior... A vida tem me feito crescer, as pessoas cada vez me desiludem mais. Eu não estou fora do país, digamos que estou na ilha. Sou do interior, e agora estou rodeada de água! Sabes, simplesmente me sinto frustada. Não tenho pais ricos... sempre trabalharam no duro. E hoje, estou longe deles sem os poder ajudar. Não te consigo explicar o que sinto, pois não sei porque sou assim. Sou demasiado simples. Na maneira de ser, no vestir, naquilo que exijo das pessoas! E depois magoam-me. Acabei o curso em 2008 e desde ai já fiz limpezas, já tratei de idosos, trabalhei num supermercado... depois consegui entrar para mestrado e como consegui trabalho aqui desisti no curso até porque o meu curso não é de bolonha e o mestrado era. Olha a vida é injusta, eu sei. Já cometi loucuras, mas nunca fiz mal a ninguém, mas as pessoas insistem em magoar-me com palavras e atitudes.
Sabes, um amor verdadeiro demora muito tempo a sarar. Não se esqueçe do dia para a noite... eu compreendo-te. E se o teu pai é assim tão parvo não merece o teu carinho, amor e compreensão!
sou relativamente nova. acho que mereço levantar a cabeça e olhar em frente. Faltam me bases para tal.
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nobodycares
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« Responder #3 em: Janeiro 26, 2010, 10:49:08 » |
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A chave é essa: capacidade para levantar a cabeça! Nem imaginas o esforço que tenho feito para o fazer mas nem todos os dias o consigo. Quando te respondi, estava num dia muito mau mas hoje sinto-me melhor e mais forte, embora tenha a consciência que amanhã poderei estar de rastos novamente. Um passo de cada vez e uma dose cavalar de paciência.
No meio do meu negativismo, exagerei quanto aos meus problemas sociais. De facto, tenho alguns problemas em relacionar-me com as pessoas e é verdade que eu perdi muito amigos como consequência do meu isolamento, mas hoje estou muito mais aberto a novas experiências e, se pensar bem no assunto, já fiz mais amigos no último ano do que durante os 8 anos que namorei com ela. A minha força de vontade foi tão grande no querer mudar e conhecer novas pessoas que consigo aperceber-me da minha mudança dada a rapidez com que isso está a acontecer, embora acredite que não é o suficiente. Devo tudo isto ao meu instinto de sobrevivência porque, durante as minhas crises existenciais, apercebi-me que tenho de ser um ser social e integrar-me no meio onde a maioria das pessoas convive para conseguir ter uma vida normal. Ainda não estou satisfeito e pretendo lutar até sentir que gosto da imagem reflectida quando me olho ao espelho. Eu acho que deves fazer o mesmo. Convence-te que a tua vida está nas tuas próprias mãos e ao alcance da tua capacidade de agir contra os teus problemas. A solução está em ti, não está em mais ninguém.
Eu sei que te sentes desmotivada e não é nada fácil sair desses estado, mas começa a definir um caminho para percorreres. Organiza os teus sonhos e acredita que eles se podem realizar.
Lembra-te: o sonho comanda a vida.
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fatima
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« Responder #4 em: Janeiro 30, 2010, 10:43:36 » |
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O sonho comanda a vida! Nós é que não somos bons condutores para comandar o sonho... não respeitamos os sinais de trânsito quando estão verdes para nós! não avançamos quando temos de avançar e quando a oportunidade surge, estamos no quintal à procura de trevos de 4 folhas. Eu só tenho 1 sonho: ser feliz; sei que é difícil de alcançar.Cada vez me sinto mais confusa, comigo mesma. Sou demasiado tonta. Nem sei porque assim sou. Amo os meus pais e irmão é por eles que aqui estou. Só quero ser feliz, da maneira que sou. Simples e honesta.Não quero passar por cima de ninguém, nem derrotar ninguém. Quero ser eu própria, com as minhas roupas com o meu pensamento. Sou simples, sim sou! Mas gosto de ser assim. Em Maio de 2009 pertenci à organização do X congresso de educação... claro, trabalhei e trabalhei e depois no dia D colocaram-me de parte! oh pá talvez um vestido caro fizesse jeito. Niguém se recorda daquela senhora com um ar louco e despenteada que canta perfeitamente bem? eu não sou louca nem despenteada, mas sou simples e sincera!
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carlosfer1956
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« Responder #5 em: Fevereiro 23, 2010, 01:52:08 » |
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Boa noite Fátima e Nobodycares,
Estive a ler os vossos relatos com interesse e tenho a dizer-vos que têm de levantar a cabeça e lutar pelos vossos futuros; acho que estão no bom caminho...É verdade que nas nossas vidas há coisas que nos desanimam e por vezes não temos a culpa, mas temos que pensar sempre "amanhã será um dia melhor!". Se forem religiosos (mesmo k sejam pouco) experimentem rezar, falar com o ser Superior, esta acção também ajuda a recuperar as energias mentais. Espero que tudo vos corra da melhor forma possível...a vida é bela, mas às vezes não sabemos aproveitá-la, né! Eu gosto muito dum homem (há mais de 7 anos), mas ele não me ama e nem sequer faz um esforço para sair às vezes comigo...Ele quer ser alguém e é um bocado lambe botas (já era assim quando me apaixonei por ele) e só se sente bem com gente importante...Fico triste quando sei que ele foi a eventos com as amigas/os amigos importantes e eu fico sempre pra traz, mas ele já fazia esse tipo de vida quando o conheci e eu não me adaptei ao grupo devido aos ciúmes que comecei a sentir de todas as outras mulheres depois de começar a ter intimidade com ele... Enfim, amo-o e agora quero dar a saber às amigas dele k ele não é tão livre como pretende ser, mas vou fazê-lo anonimamente...
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